| Sociedade Filarmónica Penelense |
| Penela |

ASociedade Filarmónica Penelense estreou um novo fardamento
por ocasião do 147.º aniversário, assinalado a 3 de Fevereiro
de 2005. O traje, de uma concepção mais leve que o anterior, significa,
desde logo, um indisfarçável desejo da colectividade - o de cumprir
mais “agilmente” os seus objectivos, actuando, com “modernidade”,
nas mais diversas ocasiões festivas do concelho de Penela e do distrito
de Coimbra.
Com 38 executantes, estes são “recrutados” à escola
de música que tem tido uma actividade regular e tem iniciado muitos jovens
no mundo da música. Depois de integrarem a Orquestra Ligeira, cujo objectivo
é “motivar ainda mais os jovens”, com um repertório
na área da música ligeira e jazz, acabam por se tornar executantes
da banda filarmónica.
Jorge Campos é o actual regente que, juntamente com Filipe André
e Andreia Coimbra, dinamizam a escola de música.
Da história da Sociedade Filarmónica Penelense fazem parte alguns
nomes. Joaquim Urbano Peres, um ilustre penelense, e João Rodrigues de
Deus, professor primário, ensinaram as primeiras notas a muitos penelenses,
devendo–se a eles o prestígio que a filarmónica granjeou
logo nos primeiros tempos. Os anos que se seguiram a 1908, ano em que deixou
a Filarmónica, foram também de glória, com o ponto alto
a situar–se em 1915, quando a filarmónica se deslocou a Coimbra
para se associar às comemorações da República.Aprumo,
compostura e um nível musical elevadíssimo marcaram a
actuação dos 26 executantes que foram muito aplaudidos à
sua passagem. Remonta também a esse período a existência
de uma banda infantil, de duração efémera, mas cujos elementos
vieram mais tarde reforçar a banda que entretanto, tinha vivido anos
de alguma apatia.
Até aos dias de hoje, a Filarmónica
viveu períodos bons e maus. Durante o período da 2.ª Guerra
Mundial, a Filarmónica voltou a viver tempos difíceis, mercê
de alguma repressão por parte do regime salazarista que via, nas filarmónicas,
um meio de fomentar oposição ao regime. Foi a integração
na Legião Portuguesa que a salvou da derrocada, devido a problemas financeiros.
E a legalização jurídica chega em 1947, que a desvinculação
da legião exigia a aprovação dos estatutos. Finalmente,
a Filarmónica entra num caminho de reorganização e recuperação
do prestígio perdido.
Anos de intenso trabalho que culminaram nas comemorações do primeiro
centenário. Uma festa com pompa e circunstância, que valeu à
Sociedade Filarmónica Penelense a distinção com o grau
de Cavaleiro da Ordem de Benemerência, entregue numa cerimónia
que acabou por ter lugar a 6 de Agosto de 1961.
Nos anos seguintes, a preocupação dos dirigentes foi conseguir
uma sede própria, tendo passado por vários espaços, até
que finalmente consegue a primeira sede em 1981.

ASociedade Filarmónica Penelense foi fundada em 1858, embora os primórdios
da instituição remontem à década de 1820, quando
um notável artista, Manuel José Ferreira Tuna, natural da Cumieira,
fundou um grupo musical que viria a ficar conhecido como a “Música
do Tuna” e que se manteria em actividade durante cerca de três décadas,
ou seja, enquanto o artista foi vivo. Em 1951, por sua morte, a “Música
do Tuna” desagregou–se e deu lugar a um autêntico vazio musical
na vila. O gérmen da música tinha ficado, todavia, bem latente
na população, pelo que, por ocasião das comemorações
do 1.º Dezembro de 1956, um ilustre penelense, Joaquim Urbano Peres, desagradado
com a ausência de música nas patrióticas cerimónias,
decidiu lançar, com outros conterrâneos, nomeadamente, Manuel José
Erse e Frei José da Encarnação, João Raymundo de
Oliveira Neves e Florêncio Cordeiro d’Oliveira, um projecto para
que, no ano seguinte, as comemorações tivessem “mais dignidade”.
Nesse ano de labuta contínua, Joaquim Peres e as suas duas filhas iniciam
um processo continuado de ensino da música, para o qual convidam toda
a população. Os restantes elementos encarregam–se da resolução
dos aspectos logísticos e, por ocasião das comemorações
do 1.º de Dezembro de 1857, os cerca de 20 músicos, embora sem fardamento,
saíram ainda assim à rua, para um “ensaio geral”,
tocando o Hino da Restauração.
Todo esse mês de Dezembro seria, com a passagem do Natal e o Ano Novo,
de grande entusiasmo musical. Aprontaram–se os fardamentos e, a 18 de
Janeiro de 1858, nascia então, oficialmente, a Sociedade Filarmónica
Penelense.